sábado, 29 de outubro de 2011
Algol editora lança livro de Márcio Callegaro " Bala com Bala" e chega nas livrarias em novembro próximo.
Bala com Bala de Márcio Callegaro chegará às livrarias em Novembro de 2011.
É um romance policial e está sendo lançado nesse início de novembro pela Algol Editora, selo Mirfak, em edição econômica e com ampla distribuição pelas livrarias do país.
A história chega ao mercado editorial brasileiro em momento oportuno e possui todos os quesitos para agradar ao atual leitor de best-sellers, pois aborda, e bem, tema de interesse: a atuação da polícia, agora a Civil, vista por quem viveu essa realidade por dentro. Porém, não se espere do livro apenas momentos de ação e operação policial, pois a narrativa nos fala de dramas humanos, vividos por um investigador de nome Tirso Falheiros Pontes que, diariamente, se desdobra entre as dificuldades de um trabalho penoso, de baixo ganho e alto risco, enfrentando as mais diversas mazelas da vida cujo conhecimento, de certo modo, é comum a todos nós, cidadãos contemporâneos.
Uma curiosidade é o fato de Callegaro, além de escritor, ser estudioso de Teoria da Literatura, o que poderia indicar intricadas narrativas ou rebuscada linguagem afastando do livro o leitor comum, o que efetivamente não acontece. Consegue o autor escrever um livro dinâmico, envolvente e moderno, onde as ações e os sentimentos se misturam, de forma equilibrada, assim como os erros e os acertos do protagonista Tirso. Não se trata, portanto, do gênero policial clássico, de um crime a ser solucionado ou de simplesmente um investigador hard-boiled, durão e de moral rígida, que se consagra ao final, mas, contrário a isso, bastante humano para um personagem típico do gênero, com conflitos de um cidadão comum, lutando entre forças opostas, esforçando-se para organizar sua vida pessoal.
Outro ponto que chama a atenção é a escrita cuidadosa da narrativa contrastando, nos diálogos, com o linguajar do dia a dia, tanto do policial quanto do marginal, uma combinação de bom efeito estilístico. Também, ao longo do romance, momentos inesperados de crueza mesclados com a suavidade do poético, muitas vezes habitando a mesma página. E não se poupa o leitor da violência urbana, normais na vida de um investigador, ou de situações libidinosas.
Para quem pensou já ter lido de tudo no gênero policial, a Mirfak busca dar um passo adiante.
Crítica: IL GUARANY, SEGUNDO ELENCO- THEATRO SÃO PEDRO/SP - 27/10/2011 - SÓ FALTOU O CHIMARRÃO! IL GUARANY DOS PAMPAS GAÚCHOS.
Uma récita nunca é igual à outra. Já vi cantores sofríveis em uma apresentação e bons em outra. Acontece sempre. A segunda noite da ópera Il Guarany de Carlos Gomes evidencia essa verdade. A vantagem de assistir ao mesmo espetáculo duas vezes (embora com elencos diferentes) é perceber alguns fatores que nos escapam à primeira vista.
Inexplicável é a luz azulada no teto do teatro, aparece como um fantasma na abertura e no quarto ato. Ao término da ópera , segundos antes de fechar as cortinas, desce uma cruz , simbolizando o nascimento do cristianismo no Brasil, ideia interessante. O traje dos índios Aimorés tem figuras geométricas , calças largas e umas máscaras que parecem ser Zorro, tudo muito esquisito. A Orquestra do Theatro São Pedro melhorou na execução da abertura. O coro canta a toda voz, quarenta coristas fazendo isso encobrem a tudo e a todos , ensurdecem os jovens e acordam os vovôs .
Os solistas foram desiguais, Nadja Souza fez uma Ceci jovem e inocente. Sua voz é leve, pequena e lírica. Defendeu as coloraturas com dificuldades. Destaque para seu belo timbre , encanta aos ouvidos, penetra com maciez na alma e nos corações apaixonados. Um soprano que pode evoluir muito com o tempo.
O tenor Rinaldo Leone continua como sempre, seu Peri tem agudos fracos compensados com gritos, timbre opaco e de difícil audição. Um grande corista, não um solista.
Leonardo Páscoa interpretou bem o personagem Gonzales, sua voz é robusta, com graves às vezes frios. Gustavo Lassen mostrou bela voz , encorpada , volumosa e brilhante, um bom Don Antônio. O papel do Cacique aimoré coube Jeller Felipe , bela interpretação cênica aliada a uma voz possante.
O Don Alvaro do tenor Gilberto Chaves mostrou , em sua pequena participação, um belo timbre com agudos fáceis e brilhantes. Apostaria nele para o papel de Peri, um jovem tenor que merece um papel maior nessa ópera.
por Ali Hassan Ayache.
Inexplicável é a luz azulada no teto do teatro, aparece como um fantasma na abertura e no quarto ato. Ao término da ópera , segundos antes de fechar as cortinas, desce uma cruz , simbolizando o nascimento do cristianismo no Brasil, ideia interessante. O traje dos índios Aimorés tem figuras geométricas , calças largas e umas máscaras que parecem ser Zorro, tudo muito esquisito. A Orquestra do Theatro São Pedro melhorou na execução da abertura. O coro canta a toda voz, quarenta coristas fazendo isso encobrem a tudo e a todos , ensurdecem os jovens e acordam os vovôs .
Os solistas foram desiguais, Nadja Souza fez uma Ceci jovem e inocente. Sua voz é leve, pequena e lírica. Defendeu as coloraturas com dificuldades. Destaque para seu belo timbre , encanta aos ouvidos, penetra com maciez na alma e nos corações apaixonados. Um soprano que pode evoluir muito com o tempo.
O tenor Rinaldo Leone continua como sempre, seu Peri tem agudos fracos compensados com gritos, timbre opaco e de difícil audição. Um grande corista, não um solista.
Leonardo Páscoa interpretou bem o personagem Gonzales, sua voz é robusta, com graves às vezes frios. Gustavo Lassen mostrou bela voz , encorpada , volumosa e brilhante, um bom Don Antônio. O papel do Cacique aimoré coube Jeller Felipe , bela interpretação cênica aliada a uma voz possante.
O Don Alvaro do tenor Gilberto Chaves mostrou , em sua pequena participação, um belo timbre com agudos fáceis e brilhantes. Apostaria nele para o papel de Peri, um jovem tenor que merece um papel maior nessa ópera.
por Ali Hassan Ayache.
MinC e dirigentes culturais da região de Santos participam de Seminário
Produtores culturais, representantes das secretarias de Cultura das cidades do litoral paulista e da classe artística estiveram presentes na tarde de ontem (27), no Teatro Municipal Braz Cubas, em Santos, para prestigiar o seminário Metas do Plano Nacional de Cultura (PNC), com coordenação do secretário de Políticas Culturais do MinC, Sérgio Mamberti (à direita na foto). O evento foi realizado pela prefeitura do município em parceria com o Ministério da Cultura.
Na plateia, os representantes dos municípios de Guarujá, Cubatão, Mongaguá, Praia Grande e São Sebastião, e os agentes culturais das áreas de teatro, cinema, literatura, dança e música, tiveram a oportunidade de conhecer um pouco mais da proposta de aprimoramento do PNC para os próximos dez anos, processo que incluiu a consulta pública PNC, encerrada no último dia 20 de outubro, que recebeu mais de 6 mil contribuições.
Na mesa, formada ainda pelo chefe da Representação Regional São Paulo do MinC, Valério da Costa Bemfica, e pelo gerente regional da Funarte em São Paulo, Tadeu de Souza, Mambertio afirmou a importância do último encontro do PNC ocorrer em Santos: “Fico feliz pelo Seminário ter sido realizado aqui, pela minha ligação com cidade e também porque este município é um polo cultural que tem muita representatividade em todo estado”, finalizou o secretário.
Ao final do encontro, os participantes tiraram dúvidas e discutiram temas como a ampliação do acesso à produção artística regional e o fortalecimento institucional entre poder público e produtores locais. A exemplo das seminários anteriores, o resultado do debate em Santos servirá de contribuição para traçar indicadores que ajudarão na aplicação de estratégias eficazes para o setor.
Instituído pela Lei 12.343, em 2 de dezembro de 2010, o PNC tem o objetivo de definir e fortalecer as diretrizes para assegurar o direito à todas as formas de cultura.
(Fonte: Site MINC e Assessoria de Imprensa Secult – Santos)
(Fotos: Francisco Arrais)
Na plateia, os representantes dos municípios de Guarujá, Cubatão, Mongaguá, Praia Grande e São Sebastião, e os agentes culturais das áreas de teatro, cinema, literatura, dança e música, tiveram a oportunidade de conhecer um pouco mais da proposta de aprimoramento do PNC para os próximos dez anos, processo que incluiu a consulta pública PNC, encerrada no último dia 20 de outubro, que recebeu mais de 6 mil contribuições.
Na mesa, formada ainda pelo chefe da Representação Regional São Paulo do MinC, Valério da Costa Bemfica, e pelo gerente regional da Funarte em São Paulo, Tadeu de Souza, Mambertio afirmou a importância do último encontro do PNC ocorrer em Santos: “Fico feliz pelo Seminário ter sido realizado aqui, pela minha ligação com cidade e também porque este município é um polo cultural que tem muita representatividade em todo estado”, finalizou o secretário.
Ao final do encontro, os participantes tiraram dúvidas e discutiram temas como a ampliação do acesso à produção artística regional e o fortalecimento institucional entre poder público e produtores locais. A exemplo das seminários anteriores, o resultado do debate em Santos servirá de contribuição para traçar indicadores que ajudarão na aplicação de estratégias eficazes para o setor.
Instituído pela Lei 12.343, em 2 de dezembro de 2010, o PNC tem o objetivo de definir e fortalecer as diretrizes para assegurar o direito à todas as formas de cultura.
(Fonte: Site MINC e Assessoria de Imprensa Secult – Santos)
(Fotos: Francisco Arrais)
Ministério Público permite que eventos sejam patrocinados por fabricantes de cigarros.
Fabricantes de cigarro, como a Souza Cruz e a Phillip Morris, poderão voltar a patrocinar festivais de música e eventos esportivos, como a Fórmula 1, contrariando explicitamente a Convenção-Quadro sobre o Controle do Uso do Tabaco, da Organização Mundial da Saúde (OMS), ratificada pelo Brasil há cinco anos.
A permissão para propaganda institucional foi incluída na medida provisória da política industrial, aprovada ontem pela Câmara, que agora segue para o Senado.
Segundo especialistas ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, o texto da MP elimina restrições à “divulgação institucional” dos fabricantes de cigarro, abrindo uma brecha para patrocínio de eventos específicos. “Lendo o que está aqui, ficou claro que os fabricantes podem usar a marca da empresa de maneira basicamente livre”, avaliou Marcelo Mansur, sócio do escritório Mattos Filho Advogados. “Como os produtos, no caso de cigarros, são as marcas, entendo que está permitindo usar inclusive o nome do produto”.
Na avaliação da OMS, reduzir a propaganda institucional pode diminuir o consumo de cigarros, objetivo da convenção. A versão da MP enviada ao Senado também passa por cima da consulta pública da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que visa a proibição da propaganda institucional.
*Com informações do Estadão.com
A permissão para propaganda institucional foi incluída na medida provisória da política industrial, aprovada ontem pela Câmara, que agora segue para o Senado.
Segundo especialistas ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, o texto da MP elimina restrições à “divulgação institucional” dos fabricantes de cigarro, abrindo uma brecha para patrocínio de eventos específicos. “Lendo o que está aqui, ficou claro que os fabricantes podem usar a marca da empresa de maneira basicamente livre”, avaliou Marcelo Mansur, sócio do escritório Mattos Filho Advogados. “Como os produtos, no caso de cigarros, são as marcas, entendo que está permitindo usar inclusive o nome do produto”.
Na avaliação da OMS, reduzir a propaganda institucional pode diminuir o consumo de cigarros, objetivo da convenção. A versão da MP enviada ao Senado também passa por cima da consulta pública da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que visa a proibição da propaganda institucional.
*Com informações do Estadão.com
PAPO COM O ARTÍSTA: O PENTAGRAMA fala com o compositor, pianista, fundador e regente titular da Orquestra Sinfônica Municipal de Santos, um dos mais importantes nomes da regência no Brasil, LUIS GUSTAVO PETRI.
O Pentagrama: Maestro o senhor é responsável pela criação da Orquestra Sinfônica Municipal de Santos e pelo sucesso e a difusão da música erudita na baixada santista, o senhor pode nos contar um pouco sobre isto?
Maestro Petri: Depois de algumas tentativas de solucionar os problemas burocráticos da antiga Orquestra Sinfônica de Santos (particular) a Prefeitura então resolveu fundar a Orquestra Municipal. Em 1994 criamos a lei e em 1995 ela começou a funcionar. E os resultados foram ótimos. Em pouco tempo conquistamos um público fiel e pudemos fazer alguns avanços no que tange à divulgação da música de concerto seja com a orquestra se apresentando fora do teatro em Santos e nas cidades vizinhas seja formando platéia com atividades voltadas para as crianças, ou mesmo viajando com a orquestra e com seu quarteto de cordas para cidades da região. Sempre com enorme sucesso.
O Pentagrama: Além da Orquestra Sinfônica Municipal de Santos, dos convites para reger outras orquestras, entre outras atividades, o senhor assumiu oficialmente, no mês do centenário do Teatro Municipal de São Paulo, o cargo de regente assistente do maestro e diretor artístico Abel Rocha. É um desafio ?
Maestro Petri: Sempre é um desafio. Na verdade sinto-me retornando à minha casa. Foi lá que comecei minha carreira, meu primeiro trabalho oficial como pianista correpetidor nas óperas e nos corais na década de 80. Já havia regido a OSM inúmeras vezes como convidado e agora ao lado do maestro Rocha, sinto-me honrado de poder contribuir para o reflorescimento desta que é uma das mais importantes casas de ópera da América Latina. No Theatro há muito trabalho a ser feito e é muito bom fazer parte desta equipe.
O Pentagrama: Neste ano de 2011, o senhor foi orientador artistico do “Curso de Direção de Orquestra Maestro Ivo Cruz” em Coimbra – Portugal. Como foi este convite, esta vivência?
Maestro Petri: Este convite foi fruto de uma colaboração entre as cidades de Santos aqui no Brasil e Arouca, Portugal. Essas são cidades irmãs e em uma das oportunidades eu regi a Orquestra Clássica do Centro sediada em Coimbra. Deste encontro nasceu a idéia de fazermos um Curso de Direcção de Orquestra. A idéia foi amadurecendo e o resultado foi um sucesso. Alunos muito talentosos e o concerto de premiação disputadíssimo com a participação de Taís Bandeira.
O Pentagrama: “Um Beijo Atlântico Brasileiro”, sua composição e letra em parceria com a soprano Tais Bandeira, com estréia em Coimbra - Portugal. Conta pra gente.
Maestro Petri: Durante o processo de desenvolvimento do projeto do curso apareceu a idéia de levarmos a soprano Taís Bandeira para colaborar com o curso. Levamos então um recital como “brinde”. E resolvemos dar um presente em agradecimento ao tratamento especial e compusemos em parceria “Um Beijo Atlântico Brasielro”. Uma experiência maravilhosa!
O Pentagrama: Nos espetáculos “Ópera Cantada e Falada”, como por exemplo em Carmen – baseada na ópera homônima de Georges Bizet, que percorreu cidades do Estado de São Paulo, o público aceitou bem? conseguiu aproximar o público deste tipo tão especial de arte ? Este projeto é uma idelização sua e de Cleber Papa ?
Maestro Petri: Esse projeto é um sucesso absoluto. Por onde passamos seja nas cidades pequenas seja em cidades maiores tivemos enorme sucesso! Sempre tivemos casa cheia e de público tanto apaixonado pela ópera como por aqueles que nunca tiveram acesso a esse tipo de espetáculo. Aliás o nome correto é Ópera Cantada e Contada. A idéia partiu de Cleber Papa que me convidou para fazer a direção musical dos espetáculos. Já criamos três títulos. Butterfly, Carmen e La Traviata.
O Pentagrama: Mais compositor, mais regente, mais pianista? Ou para a profissão é bom que seja uma mistura de tudo ?
Maestro Petri: Mais regente e diretor musical, mas nunca abandonei nenhuma das áreas. Acredito mesmo que quanto mais diversificarmos nosso conhecimento mais nós poderemos nos aproximar da realização completa. Não acho que seja possível ser um bom diretor ou regente sem que vc possa de alguma maneira se expressar tocando algum instrumento ou ter a capacidade de compor algo.
O Pentagrama: Seu currículo é bem extenso. Você já fez muita coisa. O que falta? Se sente realizado? Gostaria de trabalhar com alguém em especial?
Maestro Petri: Sinto-me realizado em muitos aspectos mas ainda tenho muitos desejos como artista. Gostaria muito de continuar atuando em áreas diversas, concertos, óperas, teatro, cinema, shows e qualquer tipo de espetáculo que envolva música. Gosto de trabalhar com quem é apaixonado e competente (nem sempre encontramos as duas coisas juntas).
O Pentagrama: Como o senhor vê o Mercado da música erudita brasileira ? é mais facil fazer sucesso no exterior?
Maestro Petri: É muito difícil fazer uma comparação isenta. Cada caso é um caso. Há pessoas que só conseguem sucesso fora, outras, que nunca saíram e estão muito bem aqui. Outras que fizeram sucesso fora e depois disso começaram a se dar bem por aqui.
Acho que é uma mistura de oportunidades aproveitadas com ousadia e determinação. Há bastante espaço não aproveitado ainda. Para todos os tipos de talentos e capacidades.
O Pentagrama: O senhor é considerado um maestro muito carismático, gentil, sem deixar de ser exigente e professional, é claro!. Tem algum preconceito no meio em relação a isto? Maestro bom é maestro bravo ?
Maestro Petri: Maestro bom pra mim é aquele que consegue fazer o grupo se superar e fazer mais que o máximo que eles podem fazer. Não acredito em “braveza” sem motivo. Ninguém escolheu fazer música porque foram obrigados. Por princípio todos os músicos querem tocar e tocar bem, por isso acho que uma liderança empática e motivadora sempre funciona mais. A sabedoria está em se encontrar um equilíbrio entre motivação e cobrança, lembrando que elas não são excludentes!
O Pentagrama: Quais são seus projetos para 2012 ? Será que daria para contar alguma coisa ?
Maestro Petri: Por enquanto manter meu trabalho frente à Orquestra de Santos cuidando de seu crescimento e colaborar para que o Theatro Municipal de SP brilhe novamente como uma das casas de ópera mais importantes da AL. Continuar a pesquisa e o trabalho com meu amigo Cleber Papa não só na “Ópera Cantada e Contada” como em outras idéias que podem indicar um caminho novo para a arte dita erudita.
Obrigado pela entrevista !
PAPO COM O ARTÍSTA: O PENTAGRAMA fala com a dona de uma das mais belas vozes do Brasil. A premiada soprano TAÍS BANDEIRA
O Pentagrama:Taís, que tipos de papéis são mais adequados a sua voz?
Taís Bandeira: Essa pergunta é dúvida de muitos. Sempre prefiro que me escutem ao vivo e tirem as próprias conclusões. Prefiro dizer o que sinto confortável em cantar agora, que são papéis verdianos como: Leonora (Il Trovatore) e Violetta, os mozartianos como: Fiordiligi, Condessa, Donn'Anna e Donna Elvira que adoro e me divirto muito cantando; os puccinianos como: Manon Lescaut, Ciò-ciò San, Liù, a histérica Tosca e Suor Angelica, que meus recentes 30 anos (risos) me permitiram cantar com conforto. Fora os alemães que amo como Rosalinde (J. Strauss), Salome (R. Strauss)...
O Pentagrama: Você acha que o Mercado lírico no Brasil está crescendo ? Tem mais oportunidades ?
Taís Bandeira: Após alguns anos com os 2 principais teatros líricos brasileiros fechados, tivemos uma absurda quantidade de cantores líricos sem trabalho. Quem tomou a crise como oportunidade foi buscando ou criando novos caminhos. Ganhamos um aquecimento enorme no mercado de pocket ópera, ganhamos finalmente um Teatro São Pedro dedicado à òpera e a fundação de uma orquestra lá o que dá emprego a muita gente. Ganhamos algumas companhias de ópera com apresentações itinerantes pelo país e pelo estado de São Paulo. Acredito que aumentaram as oportunidades sim mas não suficientemente para a quantidade crescente de bons cantores no país. O Brasil acaba sendo um mercado para poucos cantores que acabam cantando sempre (às vezes até repertório inadequado) e por todo o país.
O Pentagrama: Você tem algum cuidado especial com a sua voz? Tem algum ritual antes de entrar no palco ?
Taís Bandeira: Tive vários rituais. Já evitei sorvete e tomei só água morna durante uns 3 anos. Não ajudou em nada. (risos) Já tive uma sequência de tiques (ou TOC ?) nervosos que acreditei me que me davam sorte...(risos). Com o passar do tempo e principalmente quando se sai em turnê você se pega em situações limítrofes tendo somente 10 minutos para se arrumar, fazer a maquiagem e escolher se vai aquecer a voz, comer ou fazer os rituais. E tem que escolher bem, pois público está esperando o seu melhor. Atualmente se conseguir fazer um “bocca chiusa” e uma mini concentração ou respiração polarizada, já está bom.
O Pentagrama: Você foi vencedora dos mais importantes concursos de Cantos da América Latina como: Maria Callas (2007), Aldo Baldin (2007), Carlos Gomes (2008) e sem contar que em 2004 foi a primeira brasileira a participar do concurso de canto Operalia do Tenor Placido Domingo. Encurta caminhos ? abriu portas ? Como foi está vivencia ?
Taís Bandeira: Bem, ganhar concursos foi muito bom. É sempre melhor do que perder, certo? Errado! Concurso é uma loteria; se a maioria do júri gosta do jeito que você faz a música então você ganha. Mas isso não quer dizer que você assinará contratos até 2020! Se você cai nas graças ou no gosto de algum empresário ou produtor que estava te assistindo então isso sim pode te abrir portas. No Concurso Maria Callas que ganhei primeiro prêmio por exemplo tive uma amiga cantora que não foi premiada, porém foi convidada a estudar no Conservatório Giuseppe Verdi em Milão onde Carlos Gomes estudou! Já no Bidu Sayão que não fui premiada mas tive a honra de fazer a turnê deste ano de La Traviata e Carmen da Casa da Ópera
O Pentagrama: Você foi a estrela do programa “Brazil Inside Out” produzido pela BBC de Londres sendo veiculado em todos os continentes, como foi esta experiência ?
Taís Bandeira: Foi incrível. Na época eu morava em Salvador. Fazia o Mestrado em Etnomusicologia. E não sei como eles me acharam lá? Acho que descobriram que eu fui a primeira cantora amazonense a cantar ópera do palco do Teatro Amazonas desde a sua construção. E que sou fruto da política cultural do meu estado natal. Uma índia que canta ópera é no mínimo bom para inglês ver, não é? (risos) O mais legal de tudo foi a receptividade e o carinho dos brasileiros amigos que moram do outro lado do Atlântico. Eles ficaram felizes com o programa, adimirados e orgulhosos do nosso Brasil.
O Pentagrama: “Um Beijo Atlântico Brasileiro”, composição e letra em parceria com o maestro Luis Gustavo Petri, com estréia em Coimbra - Portugal. Conta pra gente.
Taís Bandeira: Foi uma experiência divina. Estar ao lado de um homem tão talentoso, competente, delicado e humilde é uma experiência única. Cada gesto é uma aula. Cada música que fazemos é uma dança, um balé sincronizado. A música é nossa língua precisamos dela para respirar, para viver. Compor ao lado de um homem generoso como este é estar em outro mundo. O “Um Beijo Atlântico Brasileiro” foi simplesmente a consagração de uma aliança musical foi conseqüência de tamanha gratidão que sentíamos em estar ali em Coimbra, estreando um recital nosso (o primeiro!) num lugar lindo rodeado de pessoas delicadas e generosas.
O Guga me faz querer ser uma cantora melhor, uma mulher melhor. Não dá nem para descrever.
O Pentagrama: Para você qual é o universo interpretativo mais rico na vida do cantor ?
Taís Bandeira: Depende. Quando se canta no gênero popular qualquer que seja utilizado microfone, consequentemente aumentamos o número de recursos vocais difíceis de serem ouvidos acusticamente. Porém, acredito numa frase de Renato Russo “Disciplina é liberdade”. Descobri que interpretar e mostrar seu talento no tempo e no ritmo que a música te dá e no limite ou idéia que o diretor cênico te oferece é intrigante e desafiador. Não é para qualquer um. É quase um se vira nos 30 do Faustão, sabe? Tem que ser uma pessoa não só inteligente mas também flexível, aberta a novas idéias e disposta a se despir totalmente não só física mas também intelectualmente. Tem que soltar o orgulho e aceitar a visão dos chefes (maestro e diretor). O que pode enriquecer ainda mais o trabalho. Além da ópera estou subindo no palco Metal. Meu sangue me chama para fazer Heavy Metal. Agora com a expansão da voz lírica dos palcos de rock sinto uma enorme empatia com o repertório. Com 12 anos eu freqüentava os festivais de rock em que meus cunhados tocavam, então além da MPB o rock foi minha escola inicial.
Meus planos contemplam espectáculos cênicos em que o virtuosismo heavy metal se mistura ao erudito.
O Pentagrama: Em “Ópera Cantada e Falada”, você fez o papel de “Micaela” em Carmen – baseada na ópera homônima de Georges Bizet que percorreu algumas cidades. Como o público recebeu o espetáculo ? É uma boa oportunidade para aproximar o público deste tipo de arte ?
Taís Bandeira: A recepção do público foi maravilhosa. Havia pessoas que nunca tinham tido nenhum tipo de contato com música erudita, muito menos com ópera. Muita gente se emocionou e pediu que voltássemos sempre. Tem uma cidade que já convidou o grupo para retornar várias vezes. E o fizemos.
Trazer o público do interior pro Teatro Municipal é muito mais complicado. É mais fácil levar até eles uma produção de qualidade para que eles possam ter sua primeira experiência com ópera. Esse trabalho da Casa da Ópera com o Governo do Estado de São Paulo é um trabalho social e educacional formador de platéia. Parece um trabalho de formiguinha se formos pensar em termos numéricos, mas acredito que a médio e longo prazo e dando continuidade cada vez maior e em todo Brasil (penso sempre grande) teremos mais teatros de ópera lotados por todo o país.
O Pentagrama: Você já fez muito coisa, tem um vasto curriculum musical, Gostaria de trabalhar com alguém em especial? Um projeto específico ? um sonho ?
Taís Bandeira: Sim. Muitos! Na ópera, tenho muita vontade de dividir o palco com o Jonas Kauffman por exemplo. Cantar Salomé regida pelo Maestro Luis Gustavo Petri. Tenho vontade de cantar a Thaïs de Massenet, a Helena de Strauss e a Sieglinde e Isolde (Wagner). Sonhos não faltam. Sonho com Viena desde pequena e assim vai. Tenho que continuar estudando e estudando, quem sabe um dia fico pronta né?
O rock, é um projeto em andamento. Sempre que podemos Guga e eu apresentamos arranjos de piano e canto de clássicos do heavy metal em apresentações. Até que completemos a banda. Falta baterista, guitarrista ou baixista que cante gutural e etc. Mas é um projeto já no caminho. Mais perto.
O Pentagrama: Quais seus projetos para 2012 ? E, Onde poderemos ver você cantar ainda este ano?
Taís Bandeira: Em 2012 vou dar continuidade na preparação dos projetos de heavy metal e no estudo e preparação de repertório novo. Pretendo me aprofundar no repetório francês, se possível “in loco”.
Este ano se Deus quiser farei ainda alguns eventos, todos no mês de novembro.
Canto no dia 3 de novembro no espetáculo NATUREZA no Sesc Pinheiros em SP com regência do maestro Rodrigo Vitta.
Dia 11/11/11 maestro Petri e eu fazemos um recital homenageando o pianista e compositor mineiro Eduardo Tagliatti (meu amigo querido falecido há 1 ano, com apenas 26 anos) na abertura do concurso de piano e música de câmara como mesmo nome. Dia 23/11/11 - farei com o pianista Aimar Santinho o recital "Mulheres de Puccini" no Teatro Pró-Música de Juíz de Fora. Recital comentado com a participação de Sérgio Casoy, Rodolfo Valverde e o maestro Petri.
Obrigado pela entrevista !
A série "Erudito para Todos" no próximo dia 02/11 às 19 horas no Sesc Pompéia, apresenta Quarteto de Cordas Camargo Guarnieri, composto por Elisa Fukuda (1º violino)
Ricardo Takahashi (2º violino),Sílvio Catto (viola), Joel de Souza (violoncelo) e contará com a participação especial do pianista Paulo Henrique.
No Programa:
J.BRAHMS Quinteto op. 34 em fá menor
Allegro non troppo
Andante,un poco Adagio
Scherzo (Allegro)-Trio
Finale (Poco sostenuto-Allegro non troppo)
A.DVORAK Quinteto op.81 em Lá maior
Allegro,ma non tanto
Andante con moto
Scherzo (Molto Vivace )
Finale (Allegro)
Ricardo Takahashi (2º violino),Sílvio Catto (viola), Joel de Souza (violoncelo) e contará com a participação especial do pianista Paulo Henrique.
No Programa:
J.BRAHMS Quinteto op. 34 em fá menor
Allegro non troppo
Andante,un poco Adagio
Scherzo (Allegro)-Trio
Finale (Poco sostenuto-Allegro non troppo)
A.DVORAK Quinteto op.81 em Lá maior
Allegro,ma non tanto
Andante con moto
Scherzo (Molto Vivace )
Finale (Allegro)
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